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10/09/2011

EGUNS OU EGUNGUNS

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EGUNS OU EGUNGUNS
EGUNS OU EGUNGUNS


Os negros iorubanos originários da Nigéria trouxeram para o Brasil o culto dos seus ancestrais chamados Eguns ou Egunguns. Em Itaparica (BA), duas sociedades perpetuam essa tradição religiosa.
Os cultos de origem africana chegaram ao Brasil juntamente com os escravos. Os iorubanos - um dos grupos étnicos da Nigéria, resultado de vários agrupamentos tribais, tais como Keto, Oyó, Itexá, Ifan e Ifé, de forte tradição, principalmente religiosa - nos enriqueceram com o culto de divindades denominadas genericamente de orixás.(1 - Por motivos gráficos e para facilitar a leitura, os termos em língua yorubá foram aportuguesados. Ex.: orisá = orixá.)
Esses negros iorubanos não apenas adoram e cultuam suas divindades, mas também seus ancestrais, principalmente os masculinos. A morte não é o ponto final da vida para o iorubano, pois ele acredita na reencarnação (àtúnwa), ou seja, a pessoa renasce no mesmo seio familiar ao qual pertencia; ela revive em um dos seus descendentes. A reencarnação acontece para ambos os sexos; é o fato terrível e angustiante para eles não reencarnar.
Os mortos do sexo feminino recebem o nome de ìyámí Agbá (minha mãe anciã), mas não são cultuados individualmente. Sua energia como ancestral é aglutinada de forma coletiva e representada por ìyámí Òsóróngá, chamada também de Iá Nlá, a grande mãe. Esta imensa massa energética que representa o poder de ancestralidade coletiva feminina é cultuada pelas "Sociedades Geledê", compostas exclusivamente por mulheres, e somente elas detêm e manipulam este perigoso poder. O medo da ira de ìyámí nas comunidades é tão grande que, nos festivais anuais na Nigéria em louvor ao poder feminino ancestral, os homens se vestem de mulher e usam máscaras com características femininas, dançam para acalmar a ira e manter, entre outras coisas, a harmonia entre o poder masculino e o feminino.

Além da Sociedade Geledê, existe também na Nigéria a Sociedade Oro. Este é o nome dado ao culto coletivo dos mortos masculinos quando não individualizados. Oro é uma divindade tal qual ìyámí Òsóróngá, sendo considerado o representante geral dos antepassados masculinos e cultuado somente por homens. Tanto ìyámí quanto Oro são manifestações de culto aos mortos. São invisíveis e representam a coletividade, mas o poder de ìyámí é maior e, portanto, mais controlado, inclusive, pela Sociedade Oro.
Outra forma, e mais importante de culto aos ancestrais masculinos é elaborada pelas "Sociedades Egungum". Estas têm como finalidade celebrar ritos a homens que foram figuras destacadas em suas sociedades ou comunidades quando vivos, para que eles continuem presentes entre seus descendentes de forma privilegiada, mantendo na morte a sua individualidade. Esse mortos surgem de forma visível mas camuflada, a verdadeira resposta religiosa da vida pós-morte, denominada egun ou Egungum. Somente os mortos do sexo masculino fazem aparições, pois só os homens possuem ou mantém a individualidade; às mulheres é negado este privilégio, assim como o de participar diretamente do culto.
Esses Eguns são cultuados de forma adequada e específica por sua sociedade, em locais e templos com sacerdotes diferentes dos dos orixás. Embora todos os sistemas de sociedade que conhecemos sejam diferentes, o conjunto forma uma só religião: a iorubana.

No Brasil existem duas dessas sociedades de Egungum, cujo tronco comum remonta ao tempo da escravatura: Ilê Agboulá, a mais antiga, em Ponta de Areia, e uma mais recente e ramificação da primeira, o Ilê Oyá, ambas em Itaparica, Bahia.

O egun é a morte que volta à terra em forma espiritual e visível aos olhos dos vivos. Ele "nasce" através de ritos que sua comunidade elabora e pelas mãos dos Ojé (sacerdotes) munidos de um instrumento invocatório, um bastão chamado ixã, que, quando tocado na terra por três vezes e acompanhado de palavras e gestos rituais, faz com que a "morte se torne vida", e o Egungum ancestral individualizado está de novo "vivo".
A aparição dos Eguns é cercada de total mistério, diferente do culto aos orixás, em que o transe acontece durante as cerimônias públicas, perante olhares profanos, fiéis e iniciados. O Egungum simplesmente surge no salão, causando impacto visual e usando a surpresa como rito. Apresenta-se com uma forma corporal humana totalmente recoberta por uma roupa de tiras multicoloridas, que caem da parte superior da cabeça formando uma grande massa de panos, da qual não se vê nenhum vestígio do que é ou de quem está sob a roupa. Fala com uma voz gutural inumana, rouca, ou às vezes aguda, metálica e estridente - característica de egun, chamada de séègí ou sé, e que está relacionada com a voz do macaco marrom, chamado ijimerê na Nigéria.
As tradições religiosas dizem que sob a roupa está somente a energia do ancestral; outras correntes já afirmam estar sob os panos algum mariwo (iniciado no culto de egun) sob transe mediúnico. Mas, contradizendo a lei do culto, os mariwo não podem cair em transe, de qualquer tipo que seja. Pelo sim ou pelo não, egun está entre os vivos, e não se pode negar sua presença, energética ou mediúnica, pois as roupas ali estão e isto é egun

A roupa do egun - chamada de eku na Nigéria ou opá na Bahia -, ou o Egungum propriamente dito, é altamente sacra ou sacrossanta e, por dogma, nenhum humano pode tocá-la. Todos os mariwo usam o ixã para controlar a "morte", ali representada pelos Eguns. Eles e a assistência não devem tocar-se, pois, como é dito nas falas populares dessas comunidades, a pessoa que for tocada por egun se tornará um "assombrado", e o perigo a rondará. Ela então deverá passar por vários ritos de purificação para afastar os perigos de doença ou, talvez, a própria morte.
Ora, o egun é a materialização da morte sob as tiras de pano, e o contato, ainda que um simples esbarrão nessas tiras, é prejudicial. E mesmo os mais qualificados sacerdotes - como os ojé atokun, que invocam, guiam e zelam por um ou mais Eguns - desempenham todas essas atribuições substituindo as mãos pelo ixã.
Os egun-Agbá (ancião), também chamados de Babá-egun (pai), são Eguns que já tiveram os seus ritos completos e permitem, por isso, que suas roupas sejam mais completas e suas vozes sejam liberadas para que eles possam conversar com os vivos. Os Apaaraká são Eguns mudos e suas roupas são as mais simples: não têm tiras e parecem um quadro de pano com duas telas, uma na frente e outra atrás. Esses Eguns ainda estão em processo de elaboração para alcançar o status de Babá; são traquinos e imprevisíveis, assustam e causam terror ao povo.

O eku dos Babá são divididos em três partes: o abalá, que é uma armação quadrada ou redonda, como se fosse um chapéu que cobre totalmente a extremidade superior do Babá, e da qual caem várias tiras de panos coloridas, formando uma espécie de franjas ao seu redor; o kafô, uma túnica de mangas que acabam em luvas, e pernas que acabam igualmente em sapatos; e o banté, que é uma tira de pano especial presa no kafô e individualmente decorada e que identifica o Babá.
O banté, que foi previamente preparado e impregnado de axé (força, poder, energia transmissível e acumulável), é usado pelo Babá quando está falando e abençoando os fiéis. Ele sacode na direção da pessoa e esta faz gestos com as mãos que simulam o ato de pegar algo, no caso o axé, e incorporá-lo. Ao contrário do toque na roupa, este ato é altamente benéfico. Na Nigéria, os Agbá-egun portam o mesmo tipo de roupa, mas com alguns apetrechos adicionais: uns usam sobre o alabá mascaras esculpidas em madeira chamadas erê egungum; outros, entre os alabá e o kafô, usam peles de animais; alguns Babá carregam na mão o opá iku e, às vezes, o ixã. Nestes casos, a ira dos Babás é representada por esses instrumentos litúrgicos.
Existem várias qualificações de egun, como Babá e Apaaraká, conforme sus ritos, e entre os Agbá, conforme suas roupas, paramentos e maneira de se comportarem. As classificações, em verdade, são extensas.
Nas festas de Egungum, em Itaparica, o salão público não tem janelas, e, logo após os fiéis entrarem, a porta principal é fechada e somente aberta no final da cerimônia, quando o dia já está clareando. Os Eguns entram no salão através de uma porta secundária e exclusiva, único local de união com o mundo externo.

Os ancestrais são invocados e eles rondam os espaços físicos do terreiro. Vários amuxã (iniciados que portam o ixã) funcionam como guardas espalhados pelo terreiro e nos seus limites, para evitar que alguns Babá ou os perigosos Apaaraká que escapem aos olhos atentos dos ojés saiam do espaço delimitado e invadam as redondezas não protegidas.
Os Eguns são invocados numa outra construção sacra, perto mas separada do grande salão, chamada de ilê awo (casa do segredo), na Bahia, e igbo igbalé (bosque da floresta), na Nigéria. O ilê awo é dividido em uma ante-sala, onde somente os ojé podem entrar, e o lèsànyin ou ojê agbá entram.

Balé é o local onde estão os idiegungum, os assentamentos - estes são elementos litúrgicos que, associados, individualizam e identificam o egun ali cultuado - , e o ojubô-babá, que é um buraco feito diretamente na terra, rodeado por vários ixã, os quais, de pé, delimitam o local.
Nos ojubô são colocadas oferendas de alimentos e sacrifícios de animais para o egun a ser cultuado ou invocado. No ilê awo também está o assentamento da divindade Oyá na qualidade de Igbalé, ou seja, Oyá Igbalé - a única divindade feminina venerada e cultuada, simultaneamente, pelos adeptos e pelos próprios Eguns.
No balé os ojê atokun vão invocar o egun escolhido diretamente no assentamento, e é neste local que o awo (segredo) - o poder e o axé de egun - nasce através do conjunto ojê-ixã/idi-ojubô. A roupa é preenchida e egun se torna visível aos olhos humanos.
Após saírem do ilê awo, os Eguns são conduzidos pelos amuxã até a porta secundária do salão, entrando no local onde os fiéis os esperam, causando espanto e admiração, pois eles ali chegaram levados pelas vozes dos ojê, pelo som dos amuxã, brandindo os ixã pelo chão e aos gritos de saudação e repiques dos tambores dos alabê (tocadores e cantadores de egun). O clima é realmente perfeito.

O espaço físico do salão é dividido entre sacro e profano. O sacro é a parte onde estão os tambores e seus alabê e várias cadeiras especiais previamente preparadas e escolhidas, nas quais os Eguns, após dançarem e cantarem, descansam por alguns momentos na companhia dos outros, sentados ou andando, mas sempre unidos, o maior tempo possível, com sua comunidade. Este é o objetivo principal do culto: unir os vivos com os mortos.

Nesta parte sacra, mulheres não podem entrar nem tocar nas cadeiras, pois o culto é totalmente restrito aos homens. Mas existem raras e privilegiadas mulheres que são exceção, como se fosse a própria Oyá; elas são geralmente iniciadas no culto dos orixás e possuem simultaneamente oiê (posto e cargo hierárquico) no culto de egun - estas posições de grande relevância causam inveja à comunidade feminina de fiéis. São estas mulheres que zelam pelo culto, fora dos mistérios, confeccionando as roupas, mantendo a ordem no salão, respondendo a todos os cânticos ou puxando alguns especiais, que somente elas têm o direito de cantar para os Babá. Antes de iniciar os rituais para egun, elas fazem uma roda para dançar e cantar em louvor aos orixás; após esta saudação elas permanecem sentadas junto com as outras mulheres. Elas funcionam como elo de ligação entre os atokun e os Eguns ao transmitir suas mensagens aos fiéis. Elas conhecem todos os Babá, seu jeito e suas manias, e sabem como agradá-los.
Este espaço sagrado é o mundo do egun nos momentos de encontro com seus descendentes. Assistência está separada deste mundo pelos ixã que os amuxã colocam estrategicamente no chão, fazendo assim uma divisão simbólica e ritual dos espaços, separando a "morte" da "vida". É através do ixã que se evita o contato com o Egun: ele respeita totalmente o preceito, é o instrumento que o invoca e o controla. às vezes, os mariwo são obrigados a segurar o egun com o ixã no seu peito, tal é a volúpia e a tendência natural de ele tentar ir ao encontro dos vivos, sendo preciso, vez ou outra, o próprio atokun ter de intervir rápida e rispidamente, pois é o ojê que por ele zela e o invoca, pelo qual ele tem grande respeito

O espaço profano é dividido em dois lados: à esquerda ficam as mulheres e crianças e à direita, os homens. Após Babá entrar no salão, ele começa a cantar seus cânticos preferidos, porque cada egun em vida pertencia a um determinado orixá. Como diz a religião, toda pessoa tem seu próprio orixá e esta característica é mantida pelo egun. Por exemplo: se alguém em vida pertencia a Xangô, quando morto e vindo com egun, ele terá em suas vestes as características de Xangô, puxando pelas cores vermelha e branca. Portará um oxê (machado de lâmina dupla), que é sua insígnia; pedirá aos alabês que toquem o alujá, que também é o ritmo preferido de Xangô, e dançará ao som dos tambores e das palmas entusiastas e excitantemente marcadas pelo oiê femininos, que também responderão aos cânticos e exigirão a mesma animação das outras pessoas ali presentes.
Babá também dançará e cantará suas próprias músicas, após ter louvado a todos e ser bastante reverenciado. Ele conversará com os fiéis, falará em um possível iorubá arcaico e seu atokun funcionará como tradutor. Babá-egun começará perguntando pelos seus fiéis mais freqüentes, principalmente pelos oiê femininos; depois, pelos outros e finalmente será apresentado às pessoas que ali chegaram pela primeira vez. Babá estará orientando, abençoando e punindo, se necessário, fazendo o papél de um verdadeiro pai, presente entre seus descendentes para aconselhá-los e protegê-los, mantendo assim a moral disciplina comum às suas comunidades, funcionando como verdadeiro mediador dos costumes e das tradições religiosas e laicas.

Finalizando a conversa com os fiéis e já tendo visto seus filhos, Babá-egun parte, a festa termina e a porta principal é aberta: o dia já amanheceu. Babá partiu, mas continuará protegendo e abençoando os que foram vê-lo.

Esta é uma breve descrição de Egungum, de uma festa e de sua sociedade, não detalhada, mas o suficiente para um primeiro e simples contato com este importante lado da religião. E também para se compreender a morte e a vida através das ancestralidades cultuadas nessas comunidades de Itaparica, como um reflexo da sobrevivência direta, cultural e religiosa dos iorubanos da Nigéria.

OS EGUNS

Os textos litúrgicos aqui apresentados fazem parte do jogo de Ifá, no qual seu senhor e oráculo, a divindade Orumilá, nos ensina mitos e tradições que foram mantidos através do próprio jogo. Esses conhecimentos, transmitidos a todos oralmente, hoje se tornaram verdadeiras escrituras sagradas (atualmente, vários pesquisadores já registraram em livros as lendas colhidas oralmente entre os iniciados).
Através deles entendemos o porquê de certos ritos e preceitos usados e conservados no dia-a-dia dos cultos. Vários textos explicam o mesmo fato ou se complementam, e à vezes de forma diferente e aparentemente contraditória; mas isto é reflexo de se terem originado em diferentes regiões. De uma forma ou de outra, porém, chegam aos mesmos fundamentais conceitos religiosos.

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ORIGENS
De quatro em quatro dias (uma semana iorubana), Iku (a morte) vinha à cidade de Ilê Ifé munida de um cajado (opá iku) e matava indiscriminadamente as pessoas. Nem mesmo os orixás podiam com Iku.
Um cidadão chamado Ameiyegun prometeu salvar as pessoas. Para tal, confeccionou uma roupa feita com várias tiras de pano, em diversas cores, que escondia todas as partes do seu corpo, inclusive a própria cabeça, e fez sacrifícios apropriados. No dia em que a Morte apareceu, ele e seus familiares vestiram as tais roupas e se esconderam no mercado.
Quando a Morte chegou, eles apareceram pulando, correndo e gritando com vozes inumanas, e ela, apavorada, fugiu deixando cair seu cajado. Desde então a Morte deixou de atacar os habitantes de Ifé.
Os babalaôs (adivinhos e sacerdotes de Orumilá) disseram a Ameiyegun que ele e seus familiares deveriam adorar e cultuar os mortos por todas as gerações, lembrando como eles venceram a Morte.

ORIGEM DOS OIÊ MASCULINOS (relacionados aos culto a Egungun)
Havia na cidade de Oyó um fazendeiro chamado Alapini, que tinha três filhos chamados Ojéwuni, Ojésamni e Ojérinlo. Um dia Alapini foi viajar e deixou recomendações aos filhos para que colhessem os inhames e os armazenassem, mas que não comessem um tipo especial de inhame chamado 'ihobia', pois ele deixava as pessoas com uma terrível sede. Seus filhos ignoraram o aviso e o comeram em demasia. Depois, beberam muita água e, um a um, acabaram todos morrendo.
Quando Alapini retornou, encontrou a desgraça em sua casa. Desesperado, correu ao babalaô que jogou Ifá para ele. O sacerdote disse que ele se acalmasse, e que após o 17º dia fosse ao ribeirão do bosque e executasse o ritual que foi prescrito no jogo. Ele deveria escolher um galho da árvore sagrada atori e fazer um bastão (assim é feito o ixã). Na margem do ribeirão, deveria bater com o bastão na terra e chamar pelos nomes dos seus filhos, que na terceira vez eles apareceriam. Mas ele também não poderia esquecer de antes fazer certos sacrifícios e oferendas.
Assim ele o fez; seus filhos apareceram. Mas eles tinham rostos e corpos estranhos; era então preciso cobri-los para que as pessoas pudessem vê-los sem se assustarem. Pediu que seus filhos ficassem na floresta e voltou à cidade. Contou o fato ao povo, e as pessoas fizeram roupas para ele vestir seus filhos.
Desse dia em diante ele poderia ver e mostrar seus filhos a outras pessoas; as belas roupas que eles ganharam escondiam perfeitamente sua condição de mortos. Alapini e seus filhos fizeram um pacto: em um buraco feito na terra pelo seu pai (ojubô), no mesmo local do primeiro encontro (igbo igbalé), ali seriam feitas as oferendas e os sacrifícios e guardadas as roupas, para que eles as vestissem quando o pai os chamasse através do ritual do bastão.

Seguindo o pacto e as instruções do babalaô, de que sempre que os filhos morressem fosse prazer.
Esta lenda é rica em detalhes, nos explica vários ritos e títulos utilizados no culto.
MITOS OYÁ E EGUN
Oyá não podia ter filhos, e foi consultar o babalaô. Este lhe disse, então, que, se fizesse sacrifícios, ela os teria. Um dos motivos de não os ter ainda era porque ela não respeitava o seu tabu alimentar (evó) que proibia comer carne de carneiro. O sacrifício seria de 18.000 mil búzios (o pagamento), muitos panos coloridos e carne de carneiro. Com a carne ele preparou um remédio para que ela o comesse; e nunca mais ela deveria comer desta carne. Quanto aos panos, deveria ser entregues como oferenda.
Ela assim fez e, tempos depois, deu à luz nove filhos (número místico de Oyá). Daí em diante ela também passou a ser conhecida pelo nome de 'Iyá omo mésan', que quer dizer 'a mãe de nove filhos' e que se aglutina 'Iyansan'.
Há outra lenda para explicar o mito de Iansã: Em certa época, as mulheres eram relegadas a um segundo plano em suas relações com os homens. Então elas resolveram punir seus maridos, mas sem nenhum critério ou limite, abusando desta decisão, humilhando-os em demasia.
Oyá era a líder das mulheres, e elas se reuniram na floresta. Oyá havia domado e treinado um macaco marrom chamado ijimerê (na Nigéria). Utilizara para isso um galho de atori (ixã) e o vestia com uma roupa feita de várias tiras de pano coloridas, de modo que ninguém via o macaco sob os panos.

Seguindo um ritual, conforme Oyá brandia o ixã no solo o macaco pulava de uma árvore e aparecia de forma alucinante, movimentando-se como fora treinado a fazer. Deste modo, durante à noite, quando os homens por lá passavam, as mulheres (que estavam escondidas) faziam o macaco aparecer e eles fugiam totalmente apavorados.
Cansados de tanta humilhação, os homens foram ter com um babalaô para tentar descobrir o que estava acontecendo. Através do jogo de Ifá, e para punir as mulheres, o babalaô lhes conta a verdade. Ele os ensina como vencer as mulheres através de sacrifícios e astúcia.
Ogum foi o encarregado da missão. Ele chegou ao local das aparições antes das mulheres. Vestiu-se com vários panos, ficando totalmente encoberto, e se escondeu. Quando as mulheres chegaram, ele apareceu subitamente, correndo, berrando e brandindo sua espada pelos ares. Todas fugiram apavoradas, inclusive Oyá.
Desde então os homens dominaram as mulheres e as expulsaram para sempre do culto de egun; hoje, eles são os únicos a invocá-lo e cultuá-lo. Mas, mesmo assim, eles rendem homenagem a Oyá, na qualidade de Igbalé, como criadora do culto de egun.
Convém notar que, no culto, egun nasce no bosque da floresta (igbo igbalé). No Brasil, no ilê awo, ele nasce no quarto de balé, onde são colocadas oferendas de comidas e realizadas cerimônias aos Eguns.
Oyá é também cultuada como mãe e rainha de egun, como Oyá Igbalé. E, como nos explica a lenda, Oyá, a floresta e o macaco estão intimamente ligados ao culto, inclusive em relação à voz do macaco como modo de o egun falar.

ODU TORNA-SE ÌYÁMÍ
Nos primórdios da criação, Olodumarê, o Ser Supremo que vive no orun, mandou vir ao ayê (universo conhecido) três divindades: Ogum (senhor do ferro), Obarixá (senhor da criação dos homens) (2 - Um dos orixás funfun, isto é, orixás que têm como principal preceito o uso do branco nos ritos e nas oferendas; em algumas regiões Obarixá é adotado como um cognome de Oxalá) e Odu, a única mulher entre eles. Todos eles tinham poderes, menos ela, que se queixou então a Olodumarê. Este lhe outorgou o poder do pássaro contido numa cabaça (igbá eleiye) e ela se tornou então, através do poder emanado de Olodumarê, Iyá Won, nossa mãe para eternidade (também chamada de Iami Oxorongá, minha mãe Oxorongá). Mas Olodumarê a preveniu de que deveria usar este grande poder com cautela, sob pena de ele mesmo repreendê-la.
Mas ela abusou do poder do pássaro. Preocupado e humilhado, Obarixá foi até Orumilá fazer o jogo de Ifá, e ele o ensinou como conquistar, apaziguar e vencer Odu, através de sacrifícios, oferendas e astúcia.
Obarixá e Odu foram viver juntos. Ele então lhe revelou seus segredos e, após algum tempo, ela lhe contou os seus, inclusive que adorava egun. Mostrou-lhe a roupa de egun, o qual não tinha corpo, rosto nem tampouco falava. Juntos eles adoraram egun.
Aproveitando um dia quando Odu saiu de casa, ele modificou e vestiu a roupa de egun. Com um bastão na mão, Obarixá foi à cidade (o fato de egun carregar um bastão revela toda a sua ira) e falou com todas as pessoas. Quando Odu viu egun andando e falando, percebeu que foi Obarixá quem tornou isto possível. Ela reverenciou e prestou homenagem a egun e a Obarixá, conformando-se com a supremacia dos homens e aceitando para si a derrota. Ela mandou então seu poderoso pássaro pousar em egun, e lhe outorgou o poder: tudo o que egun disser acontecerá. Odu retirou-se para sempre do culto de Egugun.

O conjunto homem-mulher dá vida a egun (ancestralidade), mas restringe seu culto aos homens, os quais, todavia, prestam homenagem às mulheres, castigadas por Olodumarê através dos abusos de Odu. Também por esta razão é que as mulheres mortas são cultuadas coletivamente, e somente os homens têm direito à individualidade, através do culto de egun
APOSTILA 01
*** PRIMEIRA PARTE,NAÇÃO KETU ***
OS EGUNS DO CANDOMBLE (JORGE ALBERTO VARANDA)
AXEXE
FALECIMENTO:
MATERIAIS USADOS E PROCEDIMENTO:
QUANDO O FALECIMENTO É SÚBITO OU POR ACIDENTE,EM QUE NÃO TEMOS MUITO TEMPO,A PRIMEIRA INICIATIVA É RECORRER AO JOGO DE BÚZIOS,POIS,PARA SE PREPARAR O AXEXÊ,TEMOS QUE TER A ORIENTAÇÃO DE YFÁ,PARA SABERMOS COMO VAMOS MONTAR O IGBALÉ,DE ACORDO COM A SITUAÇÃO DO CARGO DA PESSOA E A HIERAQUIA QUE PERTENCE.
QUANDO A PESSOA ESTÁ ENFERMA E ESPERAMOS O DESENLACE A QUALQUER MOMENTO TOMAMOS A INICIATIVA DE RETIRAR O IGBÁ(ASSENTAMENTO) E COLOCÁ-LO INTEIRAMENTE NA http://xn--gua-dla.SE FOR ORIXÁ AYABÁ COLOCAMOS ÁGUA DENTRO DO ÍGBA,SE FOR ORIXÁ ABORÓ,O COLOCAMOS DENTRO DE UMA BACIA DE ÁGATA COM ÁGUA COBERTA COM FOLHA DE AKOKÔ,O ORIXA OXALÁ E COBERTO DE ACAÇAS BRANCOS.

APÓS O FALECIMENTO,DESPACHA-SE A ÁGUA DO IGBÁ NA CASA DE EGUN E SE O TERREIRO NÃOP A POSSUIR,DESPACHAR-SE NA RUA,VOLTA-SE AO PEJI,RETIRA-SE O ORIXÁ DO PAPELÊ E COBRE-SE O MESMO COM UM OJÁ BRANCO,LEVANDO-O PARA A CASA DE EGUN,SE A POSSUIR,OU EM UM LUGAR DENTRO DO TERREIRO DETERMINADO PARA MONTAR O IGBALÉ DO FALECIDO,AS QUARTINHAS SÃO COLOCADAS DEITADAS NO CHÃO NO SENTIDO HIRIZONTAL,APÓS DERRAMADA A SUA ÁGUA.

QUANDO O CORPO JÁ SE ENCONTRA ARRUMADO NO CAIXÃO,O PROCEDIMENTO É O SEGUINTE:UTILIZANDO-SE OS SEGUINTES ELEMENTOS:

• OJÁ BRANCO
• NAVALHA
• ATIN DE OXALÁ
• OBI OU OROGBO,DEPENDENDO DO ORIXÁ
• FOLHAS DE EGUM
• ABÔ
• UM POMBO BRANCO
• ACAÇÁS BRANCOS
• ECURÚS

• EBÔ

• ALGODÃO

• DOBURÚ

• 9 ATORIS DE AMOREIRA.

O PROCEDIMENTO DO BABALORIXÁ QUE ESTÁ PRESIDINDO A CERIMÔNIA É O SEGUINTE:
FAZ UMA PEQUENA INCISÃO NA CABEÇA DO EGUM E RASPA SIMBOLICAMENTE UM POUQUYINHO DO CABELO,RETIRANDO O QUE A TEMPO FOI COLOCADO POR OCASIÃO DA INICIAÇÃO,PASSA O ATIN,AS FOLHAS E SACRIFICA-SE O POMBO NESTE LOCAL DA CABEÇA,AMMARANDO-SE EM SEGUIDA O OJÁ.
OBS:O ORIXÁ YANSÃ LEVA UM ORÓBO NA CABEÇA,UM OBI NOS PÉS E UM FRANGO BRANCO AO INVÉS DO POMBO.
DENTRO DO CAIXÃO,EM CADA CANTO,VAI UM ACAÇÁ E UM EKURÚ,UM POUCO DE ÊBO;EM BAIXO DA MESA,ONDE SE REALIZA O VELÓRIO,É COLOCADO UM TURÍBULO QUEIMANDO INCENSO E UM POUCO DE ÊBO EM UMA BACIA DE http://xn--gata-4na.NA PORTA DE ENTRADA DA RUA UM ABÔ DE ORIRI,COM ATIM E UM OVO CRU. EM AISÊNCIA DESTE,USA-SE TAMBÉM O ABÔ DE EGUN. O QUE SOBRA DA OBRIGAÇÃO DA CABEÇA DO EGUM É COLOCADO EM UM PEQUENO OBERÓ ENTRE AS PERNAS DO EGUM,TUDO ISTO COBERTO POR MUITAS FLORES PARA QUE NÃO FIQUE À MOSTRA,È DESNECESSÁRIO RECOMENDAR QUE ESTA OBRIGAÇÃO DEVERÁ SER FEITA EM CARÁTER RESERVADO LONGE DOS LEIGOS E CURIOSOS.

A SAÍDA DO CORPO DO VELORIO”


(ACOMPANHAMENTO,COMO DAR ENTRADFA NO IGBALÉ GRANDE(CEMITÉRIO).CÂNTICOS E INVOCAÇÕES.)

A SAÍDA DO CORPO É FEITA DA SEGUINTE MANEIRA:
LEVANTA-SE TRÊS VEZES,SENDO QUE O CAIXÃO É CONDUZIDO POR BABALORIXÁS E OGANS QUE LEVAM O CAIXÃO,REVEZANDO-SE POR OUTROS EM CADA ENCRUZILHADA POR QUE PASSAR,E QUANDO ATINGEM A PORTA DO CÉMITERIO,LEVANTA-SE À ALTURA DOS OMBROS CONTINUANDO O MESMO PROCESSO ATÉ A CHEGADA A SEPULTURA,QUANDO SERÃO ENTOADOS CÂNTICOS.


“MATERIAS UTILIZADOS PARA À MONTAGEM DO AXEXÊ”


O AXEXÊ SENDO TOCADO NA NAÇÃO KETU,SERÃO UTILIZADAS DUAS CABAÇAS SENDO UMA PARA FAZER O DOBRADO E A OUTRA PARA MARCAR O RITMO,SE O AXEXÊFOR UM JEJE(ZERRIN) OU EM ANGOLA (WUMBI),SERÁ EM UM POTE DE BARRO,EM ALGUIDAR COM CABAÇA,COMO ESTAMOS FALANDO DE AXEXÊ DE KETU DEVEREMOS TER DUAS CABAÇAS
SENDO QUE UMA SE TOCA NA MÃO E A OUTRA É TOCADA DENTRO DE UM ALGUIDAR COM OS ATINS E O ABÔ.

“ OS APETRECHOS “


• AQUIDAVI
• POTE
• FOLHAS DE EGUM
• AREIA DE PRAIA
• DINHEIRO EM MOEDA CORRENTE PARA PAGAR O EGUN
• VELAS
• DANDÁ-DA-COSTA
• ATIN DE OXALÁ

• CACHAÇA
• CONHAQUE
• ACAÇÁS
• ACARAJÉS
• ECURÚS
• DOBURÚ
• ATORIS
• PALHA-DA-COSTA
• MARIWÕ
• QUARTINHA
• MEL
• AZEITE DOCE
• OVO CRU
• LENÇOL BRANCO
• PIMENTA-DA-COSTA
• OBI
• OROBÔ
• ANIMAIS PARA EXU E PARA A RUA
• ABANOS
• ATORIS DE AMOREIRA

MATERIAS PARA A MONTAGEM DO IGBALÉ NO TERREIRO”(CASA DE EGUN)

PARA A MONTAGEM DO IGBALÉ DA PESSOA FALECIDA,REUNIMOS AS ROUPAS DA PESSOA TANTO DE USO PESSOAL COMO DO ORIXÁ E COLOCAM-SE AINDA:

*VELAS
*FIOS DE CONTA
*OS ORIXÁS QUE VÃO NO CARREGO
*PORÇÕES DE ABÔ
*COMIDAS DE ORIXAS
*ECURÚS,ACARAJES
*ACAÇAS
*DOBURÚ
*OMOLOCUM
*ATORIS DE AMORA
*9 PEÇAS AMARRADAS EM PALHA DA COSTA
*OBI OU OROBÔ
*ATINS
*ABÔ*EBÔ


OBS;NO AXEXÊ DE UM ANO ,OS BICHOS NÃO VÃO PARA O CARREGO,SÃO COZIDOS E COLOCADOS NO IGBALÉ.O AMALÁ NÃO LEVA QUIABOS EM PÉ,O OMOLOCUM É COM APENAS UM OVO E NÃO LEVA SAL.


EXISTE MUITA DIFERENÇA ENTRE UM AXEXÊ DE IYAWÕ E UM BABALORIXÁ,IYALORIXÁ,OGANS,EKEDES,IYABASSÉ,ETC...

O ORIXÁ DE UM BABALORIXÁ OU IYALORIXÁ COM TERREIRO ABERTO NUNCA É DESPACHADO,PORQUE SE TAL COISA ACONTECER,ALI ESTÁ TAMBÉM SE ENCERRANDO O CANDOMBLÉ,JUNTO AO CARREGO,POR ESTE MOTIVO SÃO FEITOS JOGOS DE BUZIOS COM DIVERSOS BABALORIXÁS PARA SABER QUEM HERDARÁ O ORIXÁ DO FALECIDO.GERALMENTE É UM FILHO OU FILHA DA CASA QUE TAMBÉM POSSUA CARGO.

OBS:O ORIXÁ SENDO XANGÔ MESMO SENDO DE UMA IYAWÕ,NUNCA E DESPACHADO EM CARREGO,DEVENDO O JOGO ESCOLHER ALGUÉM PARA TRATÁ-LO MESMO QUE SEJA OUTRA PESSOA DE OUTRO TERREIRO.


“ALIMENTOS OFERECIDOS AOS PARTICIPANTES DO AXEXÊ,O QUE VAI DENTRO DOS POTES,O TEMPO DE DURAÇÃO DE UM AXEXÊ.”


A COMIDA A SER SERVIDA AOS PARTICIPANTES É PEIXE COZIDO OU FRITO,PODE AINDA SER SERVIDO BACALHAU OU AINDA IGUARIAS À BASE DE CAMARÃO,ASSIM COMO BOBÓ,ETC...

OS INGRENDIENTES DO POTE SÃO OS SEGUINTES:
• 1 OVO
• AREIA DO MAR
• DANDÁ-DA-COSTA
• ABÕ DE EGUM
• 1 OBI E 1 OROBÕ RALADOS
• 7 PIMENTAS-DA-COSTA
O TEMPO DE DURAÇÃO DO AXEXÊ VARIA DE ACORDO COM O GRAU HIERÁQUICO DO FALECIDO,SE FOR IYAWO COM AS OBRIGAÇÕES COMPLETAS,SERÁ NA SEGUINTE ORDEM:
SE O IYAWÔ TIVER UM ANO DE INICIADO COM AS OBRIOGAÇÕES EM DIA,TERÁ DIREITO A UM DIA DE AXEXÊ,
SE TIVER TRÊS ANOS COM OBRIGAÇÃOEM DIA TERÁ DIREITO A TRÊS DIAS DE AXEXÊ,E SE TIVER SETE ANOS DE INICIAÇÃO COM AS OBRIGAÇÕES EM DIA,TERÁ DIREITO A SETE DIAS DE AXEXÊ,SE A IYAWÔ NAÕ TIVER OBRIGAÇÃO ALGUMA,A RIGOR NÃO TEM DIREITO AO AXEXÊ FICANDO A CRITERIO DO BABALORIXÁ FAZER O CARREGO,PODENDO ATÉ MESMO TOCAR O AXEXÊ,VALENDO NESTE CASO SOMENTE O GRAU DE AMIZADE E CONSIDERAÇÃO PELO QUE A PESSOA REPRESENTAVA PARA O BABALORIXÁ E O TERREIRO,OGANS E EKEDES TEM DIREITO A SETE DIAS DE AXEXÊ EM QUAISQUER CIRCUNSTANCIAS.
SE FOR BABALORIXÁ COM TERREIRO ABERTO,O TEMPO DE DURAÇÃO SERÁ DE SETE DIAS CONSECUTIVOS,SENDO QUE,AQUELE QUE FOR AO PRIMEIRO DIA NÃO PODERÁ FALTAR A NENHUM OUTRO,ATÉ O ENCERRAMENTO TOTAL DO MESMO.

“O RITUAL DAS DANÇAS,ORDEM DAS MESMAS,O DESCARREGO COM DINHEIRO”

AS DANÇAS SÃO REALIZADAS OBEDECENDO A UMA ORDEM HIERÁRQUIA,PREVALECENDO A ANTIGUIDADE E POSTO,OU SEJA,COMEÇANDO PELO BABALORIXÁ OU IYALORIXÁ,MÃE PEQUENA OU PAI PEQUENO,IYALAXÉ,IYABASSÉ,E IYAWO,PROCEDENDO DAS MAIS VELHAS PARA AS MAIS NOVAS,POR ORDEM DE BARCO.

ANTES DO INICIO PROPRIAMENTE DO CERIMONIAL AS PESSOAS QUE ENTRAM NO BARRACÃO USAM TRÊS RISCO NO ROSTO,EM CADA FACE,FEITO DE CINZA.USAM NO PULSO ESQUERDO UMA PULSEIRA DE MARIWÔ,AO INICIAR A DANÇA DO AXEXÊ TODOS OS PRESENTES,VODUNCES DA CASA OU DE OUTROS TERREIROS TROCAM DINHEIRO POR MOEDAS PREVIAMENTE RESERVADA PARA TROCA E TODOS QUE VÃO DANÇAR(TIRAR O PÉ DO EGUM) PASSAM ESTAS MOEDAS NO CORPO E JOGAM DENTRO DE UMA CUIA RESERVADA PARA TAL FINALIDADE,REPETINDO-SE ESTE RITUAL DIARIAMENTE ATÉ O FIM DO AXEXÊ.

DEVIDO AS GRANDES LIGAÇÕES DO CANDOMBLÉ COM A IGREJA CATÓLICA,TODO O DINHEIRO APURADO NOA DIAS DE AXEXÊ É DESTINADO A CELEBRAR UMA MISSA DE SÉTIMO DIA EM INTENÇÃO DO FALECIDO.É CONVENIENTE AFIRMAR QUE MESMO AS CASAS MAIS TRADICIONAIS AINDA NÃO SE LIBERTARAM DESTE SINCRETISMO.


“A INDUMENTARIA,OS ATINS,AS PESSOAS QUE PODEM SAIR DO RECINTO DO AXEXÊ,OS FIOS DE CONTAS ORIXÁS QUE DEVERÃO CHEGAR NO TERCEIRO DIA DO AXEXÊ”

NO CANDOMBLÉ O BRANCO REPRESENTA O LUTO,PORTANTO A ROUPA PERMITIDA È SOMENTE O BRANCO,SENDO QUE AS MULHERES USAM O OJÁ DA CABEÇA E O PANO DA COSTA COBRINDO O OMBRO ESQUERDO.

ASSIM QUE O FILHO-DE-SANTO CHEGA PARA O INÍCIO DO AXEXÊ ELE PROCURA LOGO O BABALORIXÁ PARA QUE LHE SEJA MINISTRADO OS ATINS,NOS OLHOS,FACE,CABEÇA,PEITO E COSTAS,ASSIM COMO PROCURA TAMBÉM OS OGANS RESPONSÁVEIS PELO RITUAL PARA QUE LHE SEJAM AMARRADOS OS MARIWÓS DE PULSO,BEM COMO A PALHA-DA-COSTA,SERVINDO TUDO ISTO COMO PROTEÇÃO CONTRA PERTUBAÇÕES DOS EGUNS.

O ORIXÁ XANGÕ NÃO E CHAMADO OU LOUVADO NO AXEXÊ PORQUE TEME OS EGUNS,OS FILHOS DE XANGÕ DEVEM TER NOS BOLSOS BOA QUANTIDADE DE FOLHAS DE LOURO VERDE,MASTIGAR DANDÁ-DA-COSTA,CANELA EM PAU OU CRAVO DA INDIA.

INICIADO O AXEXÊ,QUALQUER PESSOA QUE DESEJAR SE AFASTAR DO RECINTO SOMENTE PODERÁ FAZÊ-LO ACOMPANHADO DE UMA VODUNCE DO ORIXÁ YANSÁ.

NO TERCEIRO DIA CONSECUTIVO DO RITUAL,OS ORIXÁS,YANSÁ,OGUN,OBALUAIYÊ,OMULU E NANÃ SÃO CHAMADOS EM SEUS FILHOS E ENTREGUE A CADA UM DESTES ORIXÁS UMA FOLHA DE PEREGUM PARA QUE OS MESMOS FIQUEM FORA DO BARRACÃO RONDANDO-O,PROTEGENDO TODOS OS PRESENTES CONTRA TODOS OS MALEFÍCIOS QUE PORVENTURA POSSAM EXISTIR.


“LOUVAÇÃO DOS ORIXÁS NO RITUAL DO AXEXÊ”


A LOUVAÇÃO DOS ORIXÁS NO RITUAL DO AXEXÊ É FEITA EM ORDEM INVERSA,A COMEÇAR DE OXUM ATÉ OXUMARÊ,EXCETO XANGÕ.

O PADÊ DE EXU NO AXEXÊ É TIRADO EM PRIMEIRO PLANO,PORQUE ELE É O MENSAGEIRO E CARREGADOR DE TODOS OS EBÓS,A EXU NÃO INTERESSA SABER QUEM MORREU,CONTINUANDO AS COISAS DELE A SEREM AS PRIMEIRAS,AINDA QUE NO AXEXÊ.

TODOS OS VODUNCES QUE ESTÃO NA RODA,ASSIM QUE COMEÇA A CANTAR PARA O ORIXÁ,DESCOBREM OS OJÁS ,NO SENTIDO DO CORPO E OS AMARRAM,AGORA,COMO PANO-DA-COSTA.
“CANTICOS DA OBRIGAÇÃO DA CABEÇA E DO CORPÓ_ CANTICOS USADOS PARA A SAÍDA DO CORPO DO VELÓRIO”


A CANTIGA QUE SE CANTA NESTA OBRIGAÇÃO É A SEGUINTE;

“ O MURACEBY LABAQUECEBÊ
O MURA CEBIÔ LABAQUECEBÊ
ORIAMOCUM O INÃ COIJO
ORIAMUCUNÃ LABAQUEINDÃ
ORIAMOJALAXAGUN Ô
ORIAMOCUM LABAQUEINDÔ


ESTAS QUE SE SEGUE AGORA SÃO USADAS NA SAIDA DO CORPO DO VELÓRIO:

“ O DURÔ IKU AIYÉ
AROLE O DOLORO IKU AIYÉ
IKU LOPA LABABA ILOPOMA KERERÊ
O DURO IKU AIYÉW
ONIÊ ODURO IKU AIYÉ.”


“ AXEBYRELÊ ROMÃ XERE XEREOMÃ
AROLE NO AXEBYLÔ
ROMÃ XERE XEREOMA”


“CANTICOS USADOS PARA ENTRADA DO CORPO DO IGBALÉ”

“CANTICOS USADOS PARA O MOMENTO DO SEPULTAMENTO”


A) A ENTRADA NO CEMITÉRIO GERALMENTE SE USA AS SEGUINTES CANTIGAS:


“YBIRIBE LOBIUÁ LOBIUÁ GAMORÕ
ODEAROLE LOBIUÁ LOBILACOXÉ
AGAMORÔ”

“EGUN BALELÉ YO EGUN BALELÊ
BALEMIREÓ EGUNTA NI XOLORÕ
AKIBEYE KORÔ
BABA EGUN ATIN A UNLÓ.”

“BALÉ OLORRAN AWÔ BALÉ
OLORRAN AWÔ
BALÉ OLORRAN AWÔ BALÉ.”

B) NO MOMENTO EM QUE O CORPO BAIXA À SEPULTURA,SE FOR BABALORIXÁ,IYALORIXÁ,OGAN.EKEDE OU VONDUNCE COM 7 ANOS.O QUE SE CANTA É O SEGUINTE:
“IKU KO KEUAWÕ É KIKAN OLOJARÉ
BABALORIXÁ KUBEY EKIKAN OLOJARÊ”
C)SE FOR FILHO OU FILHA-DE-SANTO SEM CARGO,OU SEJA,IYAWÔ,NESTE CASO O CÃNTICO É DIFERENTE:
“ADOXUNÕ ADOXUN AUNLÓ MANAROKÔ
ADOXUN O ADOXUN A UNLO”
“,OS GRANDES “REGRESSO DO CEMITÉRIO PREPARATIVOS PARA O AXEXÊ “
A)NA VOLTA DO CEMITÉRIO ,CABE AO BABALORIXÁ DIRIGIR-SE Á CASA DE EGUN DO TERREIRO,PREPARAR SUA LIMPEZA E ARMAR O IGBALÉ DO FALECIDO,OU SEJA ,A COMPOSIÇÃO DAS ROUPAS,PERTENCES PESSOAIS,APRETECHOS,ENFIM TUDO QUE A ELE PERTENCEU,FORMANDO AÍ NESTE RECINTO UMA ESPÉCIE DE CORPO,ARMADO DE ROUPAS,ETC...
C) A ESSA ALTURA ,AS OUTRAS PESSOAS QUE TÊM RESPONSABILIDADE NO TERREIRO JÁ ESTÃO PREPARANDO AS COMIDAS DO EGUN E TAMBÉM EM COZINHA SEPARADA A COMIDA DO POVO ,QUE ESTARÁ PRESTIGIANDO O AXEXÊ.
D) DENTRO DO BARRACÃO SERÁ ARRIADO O IGBALÉ DE SALA,COMPOSTO DE:
• CABAÇAS
• OGUIDAVIS
• ABÕS
• COMIDAS ESPECIAIS
• CUIA COM AREIA
• CUIA COM MOEDAS CORRENTES
• MARIWÔ
• ATORIS
• VELAS
• BEBIDAS
• CIGARROS
• ALGUIDARES
• UM LENÇOL PARA COBRIR TUDO.

PERTENCES,JOGO DO EGUN,DETERMINAÇÃO DO QUE VAI OU NÃO VAI NO CARREGO,QUEM HERDA ALGUMA COISA”


SABENDO-SE QUE O FALECIDO DESEJAVA EM VIDA DEIXAR ALGO PARA ALGUÉM DO SEU AXÉ OU DO SEU ELEDÁ,QUANDO O MESMO JÁ NÃO O TIVESSE FEITO EM VIDA,SERÁ NESTE MOMENTO DO JOGO,PERGUNTADO A ELE(FINADO)É QUE SE DECIDIRÁ QUEM HERDARÁ OU NÃO ISTO OU AQUILO.”FALANDO-SE AQUI DE BENS E FETICHES ESPIRITUAIS”RESSALVANDO-SE TUDO O QUE SE REFERE A BENS MATERIAIS DOS QUAIS SEJAM HERDEIROS JURIDICAMENTE OS DEMAIS PARENTES,ESTES SÃO DIREITOS INALIENÁVEIS,INTOCÁVEIS”.

NORMALMENTE ESTE JOGO É FEITO POR DIVERSOS BABALORIXÁS DE CONFIANÇA DA CASA,E DE REAL SABER,COMO SE FOSSEM UM CONSELHO DE MOINISTROS EM QUE SE FARÁ RESPEITAR A VONTADE SUPREMA DO EGUM,

QUANDO O EGUM É DE FILHO-DE-SANTO ,O SEU BABALORIXÁ SOMENTE É QUEM VAI DECIDIR TUDO A RESPEITO.


“ABÓS E FOLHAS USADAS PARA OS ALGUIDARES”


NADA SE FAZ SEM AS EWE(FOLHAS) E SENDO ASSIM,CITAMOS ALGUMAS DAS FOLHAS QUE SÃO USADAS EM RITUAL DE EGUN:


• UMBAÚBA
• CANA-DO-BREJO
• COROANA
• AMORA
• MARIWO
• OLUMÃ
• ARRUDA
• MARIA PRETA

SÃO MACERADAS COM TODO O TEMPERO,ASSIM COMO:


• AZEITE
• MEL
• OBI OU OROBÔ
• ATIN DE PEMBA RALADA,ETC...

OBS:NÃO COLOCAR SAL.

ORIXÁS QUE NÃO SÃO DESPACHADOS,MODO COMO SE DESPACHA OS ORIXÁS E O CARREGO,CANTIGA DE CARREGO”


JÁ SABEMOS QUE ORIXÁ DE BABALORIXÁ COM CASA ABERTA NÃO VAI EM CARREGO(ISTO É,O ORIXA DA CABEÇA),NESTE CASO,ARRANJA-SE UM OUTRO ORIXÁ DA SUA LIMHAGEM E DESPACHA-SE JUNTO COM O CARREGO GERAL DO ULTIMO DIA DO AXEXÊ.
OMODO DE SE DESPACHAR UM CARREGO DE AXEXÊ,É QUEBRANDO TUDO QUE FOR LOUÇA OU DE BARRO,RASGAM-SE TODAS AS VESTES QUE ESTÃO ALI NO IGBALÉ,ARREBENTAM-SE AS CONTAS QUE NÃO FOREM HERDADAS E FAZ-SE UMA TROUXA DE TUDO AQUILO,E É FEITO UM JOGO PARA SABER PARA ONDE VAI TUDO AQUILO,SE NO RIO,MATO OU CACHOEIRA.

OBS;ESTE CARREGO CHAMA-SE IRÚ.

A CANTIGA QUE SE CANTA PARA DESPACHAR ESTE CARREGO É A SEGUINTE;

“YBERO LE MALÔ É FIBÓ
YBERO LR MALÕ É FIBÓ”.

“ORDEM DO XIRÊ DE ORIXÁ QUANDO EM RITUAL DE AXEXÊ”.


SABENDO-SE QUE A MORTE É UM PROCESSO INVERSO À VIDA,E CONSIDERANDO QUE,NO RITUAL “NORMAL” DO CANDONBLÉ OGUN ABRE O XIRÊ,PORÉM ENTENDENDO QUE NO PRESENTE RITUAL É DE EGUN,LOUVA-SE O “REGRESSO AO PÓ”,COMEÇAMOS COM OXUM NOSSA MÃE E COMO TAL,SABENDO-SE DE QUE FOI ELA A PRIMEIRA IYALORIXÁ,COMEÇAMOS PELA MESMA,TODOS OS DIAS DO AXEXÊ QUANDO ATINGIMOS MAIS OU MENOS A METADE DO RITUAL.

SENDO ASSIM,DAREMOS ABAIXO A ORDEM DOS ORIXÁS A SEGUIR:

• OXUM
• YANSÃ
• OBÁ
• EWÁ
• YEMANJÁ
• NANÃ
• OXUMARÉ
• OBALUAIYÊ
• OSSÃE
• OXOSSI
• OGUN


ESTA ORDEM É USADA SOMENTE NOS DIAS DA FUNÇÃO DO AXEXÊ PROPRIAMENTE DITO.OBSERVEM QUE NÃO INCLUIMOS XANGO E OXALÁ

QUE FICAM PARA SEREM LOUVADOS,NO ARREMATE FINAL,QUANDO SE ENCERRA TUDO,NA PARTE DA TARDE QUANDO O SOL ESTÁ SE PONDO MAIS BRANDO,NESSE MOMENTO CHAMAMOS TODOS OS ORIX´S PARA DAREM SUA PRESENÇA NA CASA DO CANDOMBLÉ,PARA LIMPAREM TODA A ROÇA,BATENDO FOLHAS NORMAIS USADAS PARA ESTRE TIPO DE TRABALHO,PASSANDO EM TODOS OS PRESENTES OS ATINS DO AXÊ E DEFUMANDO TUDO.

CANTICOS ESPECIAS DENTRO DO RITUAL PARA ALGUMAS CABEÇAS CONSIDERADAS DE CARATER ESPECIAL...


ABIKÚS! PESSOAS QUE TRAZEM CONSIGO ESTES PROBLEMA SÃO REVERENCIADAS ESPECIALMENTE NESTE RITUAL DE EGUN, E QUANDO OS OGANS RESPONSAVEIS PELO ANDAMENTO DO RITUAL GRITA SEUS INHÃS,OU SEJA ,CANTIGAS,SOMENTE QUE FOR ABIKÚ VAI TIRAR O SEU PÉ (DANÇAR ).

“ABIKÚ ORIOLELE
OMO ABIKÚ ORIOLELE
MORELE ADJA MOREWO”.(BIS)


“ORIMADAFÉ ORIMADAKE
ORIMADAFÉ ORIMADAKE”

VEJAMOS AS CANTIGAS QUE SOMENTE AS PESSOAS QUE TEM “MÃE” MORTA PODEM DANÇAR:

“ERRO AGÊ MASSOIKÚOMA
AROLE MASSOKU
ERRO AGÊ MASSOIKÚOMA”.

“AGAMORELE ARAKA ILOLO
LILA LILA NO ABA ORUN
ARAKA ILO LO”.

“MANA ROKO MIXIGUN MANAROKO
MANA ROKO MIXIGUN MANAROKO”


ESTA CANTIGA AGORA,SOMENTE PODEM DANÇAR AS IYALORIXÁS OU BABALORIXÁS QUE ESTEJAM RESPONSAVEIS PELO AXEXÊ,OU OUTROS CHEFES DE CANDOMBLÉ PRESENTES,SOMENTE PODERÃO DANÇAR SE FOREM CONVIDADOS PARA FAZÊ-LO,OU QUANDO SE TEM CONSIDERAÇÃO MUITO GRANDE COM OS REFERIDOS BABALORIXÁS.

TALABÊ OLOUWO MA KELOXÊ PAMORÔ
ARAIYÉ OKELOXÉ O PALABÊ
OMI TORODO KE U ALÉ OKE LOXÊ O PALABÊ
MA KE LOXÊ TALABÊ OLOWO MA KE LOXÊ POMORÓ
ARAIYÊ OKE LOXÉ O PALABÉ EMI TORODÓ HE U ALÉ
OKE LOXÉ O PALABÉ
IKÚ ARELE XALA IKÚ ARELA XALA
IKÚ ARELE XALA NA IKÚ ARELE XALA COXEBÉ”.


ESTA AGORA LOUVA OS LUGARES,ROÇAS ANTIGAS,CIDADES,AXÉS,EM QUE FORAM PLANTADAS AS PRIMEIRAS CUMEEIRAS DOS NOSSOS ANCESTRAIS;

“ALUNKUERE ALANKUERE
ALANJUERE LANKUERE (BIS,DUAS VEZES)
MORO ENGENHO VELHO ALANKUERE
MORO NA BAHIA ALANKUERE
MORO EM SÃO PAULO ALANKUERE
MORO DE CACHOEIRA ALANKUERE
MORO DE RIO DE JANEIRO ALANKUERE
MORO DE BOGUM ALANKUERE
MORO DE GANTOIS ALANKUERE
MORO DE MARANHÃO ALANKUERE
ALNKUERE ALANKUERE ALANKUERE “..


QUANDO NO AXEXÊ SE TOCA ZERRIN DO JEJE,EXISTE UMA CANTIGA QUE QUANDO O OGUN TIRA,NOS INTERVALOS DE UMA PARA OUTRA,QUEM ESTÁ DANÇANDO NA FRENTE DO POTE,OU SEJA,DO IGBALÉ DE BARRAÇÃO,TEM QUE SAIR IMEDIATAMENET DA FRETE DO MESMO;

“GALO CANTO MAIKUELO
GALO CANTO MAIKÚ
GAILE MINA JÕ JÔ
GALO CANTO MAIKUELO AYE AYE
GALO CANTOU MAIKÚ”

E IMPORTANTE DIZER-SE DE QUEM DANÇA O AXEXÊ NÃO RODA,SÓ SE DANÇA PARA AFRENTE,PORQUE É BOM LEMBRAR QUE RODA TONTEIA,E QUE EGUN DO FALECIDO ESTÁ ALI PRESENTE E AINDA NÃO ESTÁ CÔNSCIO DE QUE NÃO PERTENCE MAIS A ESTE MUNDO,PODENDO ENCOSTAR EM ALGÚEM QUE NÃO SIGA ESTAS NORMAS DO RITUAL E ISTO NÃO É BOM PARA NÍNGUÉM.
“RAZÃO DAS DANÇAS E CANTICOS NO RITUAL DE EGUN”
DESEJAMOS INFORMAR QUE ESTAS DANÇAS E CANTIGAS,LAMENTOS ,SÃO DOMINDAOS “OROS”
OU “INHAS”,OU SEJA ,UNGIMENTO DE ENCOMENDAÇÃO E PURIFICAÇÃO.
“CRIAÇÃO,OS ANIMAIS PARA O SACRIFICIO”.
A CRIAÇÃO PARA EGUN É SEMPRE DE COR BRANCA E DE MELHOR QUALIDADE POSSÍVEL.BICHOS EM BOM ESTADO DE SAÚDE,SEM ALEIJÕES,SEM NENHUMA ESPÉCIE DE PROBLEMA,PARA QUE O EGUN SE SINTA SATISFEITO EM RECEBER SEU SACRIFUICIO PARA AFASTAMENTO,
COMPÕE-SE DOS SEGUINTES ANIMAIS:
SE O EGUN É DE IYAWÕ NÃO LEVA KONKÉN E SE DEREM A MESMA SERÁ EXCLUSIVAMENTE POR DETERMINAÇÃO DO BABALORIXÁ.
SE EGUN É DE PAI-DE-SANTO OU MÃE-DE-SANTO,AÍ LEVA TUOD,OU SEJA:
• I BODE BRANCO
• 4 GALINHAS BRANCAS
• 1 POMBO BRANCO
• 1 KONKÉN BRANCA
SE A PESSOA E DE OXALÁ,E TUDO BRANCO
NESTA LISTA ESTÁ O BODE BRANCO,MAS TEM MUITAS CASAS QUE USAN O AGUTÃ(CARNEIRO),EXCENÇÃO DAS CASAS DE JEJE,QUE NÃO ADOTAM DE FORMA ALGUMA;ESTES NÃO PASSAM NEM NAS PORTAS DO CANDOMBLÉ DESTA NAÇÃO,POIS E ANIMAL CONSIDERADO SACRATISSIMO.PORTANTO “INTOCÁVEL” PARA QUALQUER RITUAL.
QUANDO A CASA NÃO TEM ILÉ-IBO-AKÚ,A MATANÇA E FEITA SOMENTE COM UMA INCISÃO LATERAL ISTO SEM TIRAR O ORI DOS BICHOS E TAMBÉM SUAS PATAS.
QUANDO A CASA DE CANDOMBLÉ TEM TUDO,AS MATANÇAS SÃO FEITAS NESTE LOCAL E NOAXEXÊ DE 1 ANO O TIPO DE MATANÇA OBEDECERÁ A UMA NORMA COMUM PARA EGUN E, NESSE CASO,SERÃO TIRADOS OS ORIS,ASSIM COMO OS AXÉS.

NO CASO ACIMA,TUDO É COZIDO NA AGUA E SAL,E NO AXEXÊ DO DIA EM QUE A PESSOA MORRE NADA LEVA SAL.É BOM PRESTAR ATENÇÃO NISTO.NO ILÉ-IBO-AKÚ TEM,ENTRE OUTRAS COISAS,QUE DISPOR DE UM MORRIM BRANCO NA PAREDE E UM AMARRADO EM CIMA DESTE PANO DE MARIWÕ D´OGUN.
“O ARREMATE FINAL “
“ O AXEXÊ DO SEXTO E SETIMO DIAS.”
ESTA É A FASE PRINCIPAL DO RITUAL,POIS,NESTE MOMENTO,VAI SER EXECUTADO UM DOS MAIS SERIOS E COMPLICADOS RITUAIS EM QUE O SACERDOTES PREPARAM O CHAMADO FINAL DO FALECIDO.TRAZEM TUDO,O QUE FOI USADO NO TOQUE,ASSENTOS,OBJETOS PERTECENTES AO MESMO,TRAÇAM NO CHÃO UMA CIRCUNFERÊNCIA COM AREIA DO MAR,POR CIMA COBREM-NO COM CADA UMA DAS TRÊS CORES DO SIMBOLO DA NAÇÃO PARA SE INVOCAR O ESPIRITO DA PESSOA FALECIDA,TUDO ARRUMADO,PARTE-SE O OBI OU OROBÓ(DE ACORDO COM O ORIXÁ EM QUE A PESSOA FOI FEITA NA VIDA),NO MEIO DESTE EBÓ,CONSULTA-SE O ORÁCULO PARA SABER SE ALGO DAQUILO VAI FICAR PARA ALGUÉM DO TERREIRO ,FEITO TODO ESSE CERIMONIAL,O BABALORIXÁ OU OGAN QUE ESTA RESPONSAVEL PELO AXEXÊ,BATE COM UM IXAN,PRERPARADO COM UMA TALA GROSSA DE PALMEIRA OU BANANEIRA,TRÊS VEZES INVOCANDO-O,PARA QUE VENHA APANHAR O SEU CARREGO PARA QUE O LEVE E SE SEPARE PARA SEMPRE DO EGBÉ.INSISTE-SE E NA TERCEIRA VEZ,O EGUN RESPONDE,E AI TUDO E QUEBRADO COM O IXAN,RASGANDO-SE AS ROUPAS,ARREBENTANDO-SE OS FIOS DE CONTA DO ORIXÁ.
PROCEDE-SE O SACRIFICIO DOS ANIMAIS E SÃO COLOCADOS EM CIMA DOS RESTOS QUEBRADOS E BEZUNTADOS DE MEL,AZEITE DOCE, DENDE, ÁGUA,CACHAÇA,TUDO EM CIMA DO CARREGO,JOGA-SE TAMBÉM UM POUCO DE TERRA,E UM GRANDE CARREGO É PREPARADO,CHAMAMOS “ERU” E BABALORIXÁS,OGANS E ORIXÁS “VIRADOS”,ASSIM COMO YANSÃ,OBALUAIYÊ,NANÃ,SE TIVER NA HORA,DEVEM ACOMPANHAR QUEM VAI LEVAR O EBÓ.
QUEM CARREGA ESTE EBÓ É “EXU ELÉRU” E QUANDO ELE SAI TODOS SE LEVANTAM E SAÚDAM A SAÍDA DO ERU-IKÚ,LOGO APÓS,VIRAM-SE E ESPERAM O REGRESSO DE COSTAS PARA A RUA,ENTÃO CANTAS-SE;

“GBÉ RÚ LE MÃ LÓ
EFIBÕ “.
(O CARREGO DA CASA ESTÁ SAINDO;CUBRAM-NOS)


NA VOLTA DO CARREGO ,GERALMENTE POR ESTAREM MUITO CAN SADOS,DÁ-SE UM INTERVALO PARA QUE OS PARTICIPANTES SE REFAÇAM E SE PREPAREM PARA O ENCERRAMENTO,OS QUE FICAM NA CASA DO CANDOMBLÉ,JÁ ESTÃO FAZENDO O ALMOÇO,QUE AINDA É PEIXE,AO ENTRADECER,CANTA-SE O PADÊ DE ENCERRAMENTO,CANTA-SE PARA OS ORIXÁS.E ELES SACUDIRÃO TODA A ROÇA,TODOS OS PRESENTES COM FOLHAS,ABÓS E ATINS,E ESTE TOQUE JÁ É NOS ATABAQUES QUE ESTAVAM DEITADOS DURANTE O RITUAL DO AXEXÊ.

POSTERIORMENTE ,SE A PESSOA FALECIDA FOR A YALORIXÁ A CASA FICA FECHADA POR 1 ANO PARA FUNÇÃO,POIS,SOMENTE COM ESTE ESPAÇO DE TEMPO,ASSUMIRÁ A PESSOA INDICADA NO JOGO A RESPONSABILIDADE DA CASA E DOS FILHOS DA MESMA.

LEMBRAMOS QUE,NO ENCERRAMENTO,QUANDO SE ESTÁ LIMPANDO A ROÇA,TODOS OS “ASSENTAMENTOS”PASSAM POE OSSÉ DE LAVAGEM DE FOLHAS DE ABÓS FRESCOS.APÓS TUDO ISTOÉ QUE VAMOS DAR UM INTERST´CIO DE 1 ANO PARA NOVO FUNCIONAMENTO.



FIM

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