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4 de nov de 2015

manicômio de Barbacena

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O manicômio de Barbacena

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Na cidade mineira de Barbacena, no ano de 1903, foi construído um manicômio, que tinha capacidade para abrigar 200 pacientes com problemas psiquiátricos. O local, conforme o tempo foi passando, começou a abrigar mais e mais pessoas.
Contudo muitos pacientes sem problemas mentais acabavam sendo internados. Pessoas de influência, como políticos, delegados e outros, começaram a determinar que gente sã fosse internada. Assim o local ficou superlotado, cheio de pessoas sem doença alguma, mas que acabavam ficando presas por ordens de outros.

O holocausto

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Nos seus piores dias, o manicômio chegou a abrigar mais de 5 mil pessoas. Mulheres, homens e crianças viviam sem nenhum tipo de separação. Muitos não tinha roupas para vestir. Todos os dias, as 5 hora da manhã, todo mundo tinha que acordar, depois de passar a noite em um sala com centenas de pessoas e sem camas.
Até as 7 horas da noite, todos os pacientes ficavam, obrigatoriamente, no pátio exterior, passando fome e frio. Pela falta de roupas e inexistência de separação de sexo, o lugar era promíscuo, com pessoas transando no meio de todo mundo, outras fazendo suas necessidades pelo pátio e brigas até a morte eram comuns.
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Como praticamente não existia alimentação, muitas pessoas comiam ratos, pombos e qualquer coisa que pudessem encontrar. Água de esgoto era bebida e calcula-se que, na pior época desse local, mais de 10 pessoas morriam todo dia, isso incluía crianças, homens, mulheres…
Os empregados, que cuidavam do local, abusavam dos pacientes, estuprando mulheres e mal tratando homens. Além disso, os trabalhadores lucravam com a morte. No registro do manicômio foram encontrados dados relativos a venda de quase 2 mil corpos para faculdades de medicina, totalizando um montante, que nos valores de hoje, ficaria perto dos 600 mil reais.

Mortes

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Mais de 70% das pessoas que iam parar nesse manicômio não tinham nenhum problema mental. Elas eram, na verdade, enviadas por outros motivos e normalmente morriam lá dentro. Em alguns casos gays e negros eram jogados nesse local, por não se encaixarem na sociedade da época.
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Pelos registros e dados recolhidos em entrevistas e investigações, acredita-se que mais de 60 mil pessoas tenham sido mortas entre 1903 e 1980 no manicômio de Barbacena. A esmagadora maioria era de “pacientes” que não eram doentes mentais.
E, até hoje em dia, ninguém foi culpado ou está sendo investigado pelos gigantescos crimes feitos no local, que ainda está aberto.
O Brasil, mesmo que pouco divulgado, também tem suas histórias macabras e crimes inimagináveis.

Conheça a macabra história do prédio mineiro onde funcionou o maior hospício do Brasil

Dominada pela família Andrada até hoje, Barbacena tinha a ambição de ser a capital de Minas Gerais. O desejo foi frustrado e a cidade teve que se contentar com um manicômio, criado em 1903. Em vez de ditar os rumos da política local, como pretendia, ficaria marcada pelo que a jornalista mineira Daniela Arbex chamou de ‘Holocausto Brasileiro’, termo que dá título ao seu livro sobre o hospício, o maior do Brasil. “Os pacientes vieram para cá em trens de carga e, quando chegavam, já eram desumanizados. Passavam por ‘banho de desinfecção’, tinham a cabeça raspada, eram uniformizados. Foi uma tragédia. Claro que não na proporção dos judeus, mas foi uma tragédia singular na nossa história”, compara Daniela.
Como a maioria das pessoas ia para Barbacena de trem, surgiu no estado a expressão ‘trem de doido’. O termo, inclusivo, foi mencionado pelo escritor Guimarães Rosa no conto ‘Soroco, sua mãe, sua filha’. Embora os trens tenham mudado e hoje só transportem mercadorias, os vestígios daquelas viagens ainda permanecem na cidade. Apesar de os pacientes encaminhados para o manicômio serem considerados loucos, apenas 30% deles tinham diagnóstico de doença mental. A jornalista conta que homossexuais, militantes políticos e meninas que haviam perdido a virgindade antes do casamento eram mandados para lá.
A causa de muitas das 60 mil mortes que ocorreram no local era o tratamento com choques elétricos, ministrados sem nenhuma prescrição médica. “Foi usado como forma de contenção e intimidação. Hoje ainda se prescreve eletrochoque para determinados tipos de doença, mas o Conselho Federal de Medicina é claro quando diz que precisa ter anestesia, a pessoa precisa tomar remédios para minimizar os impactos. Acho que aí caracteriza claramente como tortura, porque as pessoas recebiam eletrochoque a seco”, conta Daniela.
Cultura higienista no Brasil
Segundo ela, havia uma cultura higienista de limpeza social, o que impediu que – mesmo com a frequente entrada da imprensa no manicômio – este tipo de tratamento fosse abandonado. A jornalista destaca que o problema ainda não foi extinto. “Se a gente pensar que esse ano, em 2013, a gente ainda tem hospitais psiquiátricos sendo fechados porque funcionam como minicolônias, vai ver que o holocausto ainda não acabou”, afirma.
Desde o princípio do século, o Brasil passou por uma reforma no tratamento de pacientes com transtornos mentais. Ninguém viveu mais amplamente toda essa transformação do que Elzinha. Sobrevivente do manicômio de Barbacena, ela mora hoje em um núcleo terapêutico residencial com mais sete mulheres com níveis de dificuldades diferentes. Ela foi internada quando menina em uma instituição para menores na cidade de Oliveira. Adulta, foi transferida para Barbacena.
 
Elzinha conta que nunca ficou trancada em uma cela ou recebeu choque, mas viu outros pacientes serem castigados. No tempo em que ficou internada, jamais recebeu a visita de parentes. “Queria que minha família viesse aqui só para me ver, para ver que eu estou boa. Não é para eu ir embora com eles, não. Não sei porque me internaram criança. Eu não fiz nada com Deus, não fiz nada com eles”, conta.
A autora de ‘Holocausto Brasileiro’ aponta que Barbacena tem atualmente 28 residências terapêuticas em funcionamento. “É um modelo que às vezes engatinha em algumas cidades brasileiras, e Barbacena está tentando correr atrás, através da implantação de serviços que funcionam bem e integram essas pessoas na sociedade”, avalia.
Nem tudo, porém, foi resolvido com o chamado movimento antimanicomial e com as mudanças no sistema de atendimento psiquiátrico. Os núcleos terapêuticos são caros e os 62 remanescentes que foram para clínicas particulares conveniadas com o governo estão sob a vigilância do Ministério Público. “Temos ainda hoje uma vertente de colocação do portador do transtorno mental em uma condição de sub-humanidade. Ainda existe um descompasso do reconhecimento mínimo de direitos da dignidade humana em determinados locais”, afirma a promotora Giovana Araújo.
O ‘trem de doido’ não existe mais em Minas Gerais, exceto com o sentido atribuído pela linguagem popular, mas nem todas as promessas de reformulação do modelo de atenção à saúde mental foram cumpridas. Hoje, o próprio hospital de Barbacena está mudado. Antes mesmo da reforma, pessoas como Nise da Silveira romperam com o choque elétrico e estimularam a terapia pela arte. O sofrimento ainda existe, mas o Brasil deu alguns passos para relegar a peças de museu os instrumentos de tortura do passado.
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